Reparação de uma bicicleta, c. 1895. fonte: Montana State University Library

O conceito de CycleChic – A origem

Onde começou tudo?

Ao contrário do que o nome — cyclechic — pode querer fazer parecer, o conceito ou ideia pouco ou nada tem a ver com chic. Na verdade, o princípio subjacente é que qualquer pessoa de qualquer idade pode, a qualquer momento, deslocar-se de bicicleta de forma casual e sem grandes preocupações relativamente à indumentária.

Se, aliado a esse conceito, se puder dar um toque de classe, estilo, bom gosto, o que seja, melhor.

Na verdade, a expressão foi criada por Mikael Colville-Andersen, em 2007, tendo nesse ano inicado o blogue CopenhagenCycleChic. A dia exato: 14 de novembro de 2006, quando o Mikael publicou esta foto:

A primeira foto do movimento Cycle Chic
A primeira foto do movimento Cycle Chic

Uma jovem fotografada vista de trás, numa bicicleta utilitária. O cabelo arranjado de forma casual. Um casaco de inverno, um cinto preto e uma saia aos quadrados. Uma postura despreocupada. Ninguém poderá afirmar que esta jovem é uma ciclista, pois não?

Em Portugal, o blogue LisbonCycleChic iniciou as atividades em agosto de 2010 e o OportoCycleChic teve o seu primeiro encontro com cobertura mediática em abril de 2011.

Toda a ideia por detrás da expressão remonta aos primeiros dias da bicicleta, nos finais do século XIX. As indumentárias femininas da altura eram pouco práticas e a utilização da bicicleta veio ajudar ao importante movimento de libertação da mulher e à adoção de roupas mais práticas.

Reparação de uma bicicleta, c. 1895. fonte: Montana State University Library
Reparação de uma bicicleta, c. 1895. fonte: Montana State University Library

O conceito, atualmente, associa-se à bicicleta como instrumento de utilização diária, permitindo deslocações na cidade, livres de constrangimentos.

Cidades como Amesterdão ou Copenhaga são um paradigma deste modelo. No entanto, na Europa, Paris ou Sevilha, Milão, Roma, Barcelona e tantas outras rapidamente estão a seguir esta tendência. As cidades ficam inundadas de pessoas com bom ar, bonitas, nas suas bicicletas de deslocação diária.

O objetivo é sempre o mesmo: bicicletas comuns com pessoas comuns vestidas em roupa comum.

A melhor metáfora é a do pedestre com rodas. Ninguém sai à rua para caminhar na cidade em roupa desportiva, como se fosse fazer a maratona, pois não?

Joana Campos Silva e a foto que começou o movimento, no Porto
Joana Campos Silva e a foto que começou o movimento, no Porto

#OportoCycleChic

OportoCycleChic 2012O Porto é uma cidade incrível para percorrer de bicicleta. Quase não chove. A paisagem urbana nunca é monótona, com o casario a tombar melancolicamente para o rio. Do Marquês a Nevogilde vai-se sempre numa agradável descida cuja chegada é antecipada pela vista do mar em plena rua da Constituição. O burgo, misto de antiguidade decadente europeia e de modernidade, conta com as suas gentes, francas e liberais, como tesouro mais valioso. Assim o reconheceu D. Pedro IV, cujo coração ficou no Porto, tal foi o amor que sentiu pelas pessoas daqui. Educadas e frontais. Assim é o Porto. Nele nasceu o #OportoCycleChic.

Não é um movimento elitista. Não é um conjunto mais ou menos desconhecido de pessoas. O #OportoCycleChic somos todos. Eu, tu, a senhora que diariamente sobe a avenida da Boavista, de manhã cedo, na sua híbrida. O cavalheiro que atravessa o Amial em direção ao seu trabalho, em S. Mamede de Infesta. São os peões e até os automobilistas, que de sorriso incrédulo nos deixam complacentemente atravessar o trânsito.

#OportoCycleChic
Bicicletas displicentemente estacionadas, algures no Cais de Gaia.

Nós, os #OportoCycleChic, somos os portuenses. Os tripeiros e os não tripeiros. Os de gema e os adotados. Abraçamos a tremenda responsabilidade de contribuir, através da nossa forma de estar frontal e honesta, para uma urbe bela e esteticamente apelativa. Porque não há nada mais belo do que um ser humano numa bicicleta, descontraído e alheado. A mera presença de um portuense em duas rodas inspira quem quer que nos veja passar, numa pedalada compassada e lenta, observando o espaço urbano. A graciosidade e a elegância do esforço quase impercetível em cada movimento do eixo pedaleiro conferem graça, elegância e dignidade ao binómio pessoa / bicicleta. Seja uma bicicleta de montanha, uma citadina, uma híbrida, uma dobrável, de corrida, uma fixed gear ou single speed. Seja senhora, homem ou criança. Seja o que for, será sempre uma pessoa. Um portuense que se desloca de A a B de forma inteligente. Que pega numa bicicleta e que de repente se apercebe de que é mais rápido e mais cómodo. E muito, mas muito mais agradável… Sem preocupações para além do melhor percurso – que não tem que ser o mais curto – melhor para os olhos e para o espírito. E o Porto pode ser tão surpreendente…

Junta-te a nós no #OportoCycleChic. Fotografa. Publica. Divulga! No Instagram, no Facebook, no Pinterest, seja onde for. Mas mostra. Sem inventar realidades hipotéticas. Mostra-nos o Porto como ele é. Em duas rodas.

Qualquer publicação nas redes sociais com o tag #OportoCycleChic será divulgada pelo movimento #OportoCycleChic. Só precisamos de pessoas em bicicleta com o Porto como pano de fundo.

Vamos mostrar que o Porto é uma cidade de vanguarda e de uma gente que faz o que diz e não que diz que faz! #OportoCycleChic